O que de fato significa mulher com excesso de energia masculina
- Sai do Ninho

- há 2 dias
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Quando o amor vira defesa: feminino e masculino feridos.
Nas newsletters anteriores, compreendemos que energia feminina e masculina não é apenas uma trend, muito menos algo vinculado a gênero, mas sim energias internas que todos temos e que são importantes para navegarmos a vida. Pois elas nos auxiliam a saber quando é o momento de parar, quando é o de acelerar, quando receber e quando agir.
Porém, quando em desequilíbrio, nos prejudicam não apenas em questão de saúde como nos níveis hormonais, que podem desencadear em adoecimento, mas também afetam nossos comportamentos. E esses comportamentos podem então prejudicar ou trazer mais harmonia e fluidez na dança dos relacionamentos, como Jung já trouxe e abordei na newsletter anterior.
Hoje vamos aprofundar um pouco mais nesses desequilíbrios. Que dentro desse universo de energia feminina e masculina, também é conhecido como feminino e masculino ferido.
Afinal, o que é isso e como afeta nossos relacionamentos? E mais importante: como sair disso?
Ninguém nasce ferido
Quando falamos de energia feminina e masculina na prática não estamos falando só de comportamento, mas estamos falando de história. De vivência. De feridas.
Toda criança nasce com as duas energias disponíveis.
Ela chora e pede ajuda — feminino. Ela age, explora, testa limites — masculino. Ela flui entre as duas naturalmente, sem julgamento.
Mas aí vem a vida e então com sua realidade, faz esses estados serem construídos. Geralmente em momentos onde você precisou escolher entre:
sentir ou sobreviverse
abrir ou se proteger
confiar ou se controlar.

Uma menina que chora e ouve “para de drama”, aprende então que sentir não é bom, é perigoso. Que ser vulnerável tem custo e então ela endurece. Desenvolve controle, hiperindependência, uma armadura eficiente.
Uma menina que precisou cuidar dos irmãos, da mãe, da casa antes de alguém cuidar dela, aprende que seu valor está no quanto ela serve. Que existir significa ser útil ao outro.
Uma menina que viu o pai ausente emocionalmente ou fisicamente, aprende que não pode depender de ninguém. Que amor machuca. Que é melhor se virar sozinha.
Isso não é energia masculina. É uma criança que fez o que precisava fazer para sobreviver.
E o problema é que essa criança cresceu. Mas a estratégia ficou.
O feminino ferido não aparece como fraqueza. Na maioria das vezes, ele aparece como excesso de cuidado com o outro e ausência de cuidado com si mesma.
No comportamento
Diz sim quando quer dizer não
Sente culpa ao colocar limites
Se adapta ao humor do outro constantemente
Tem medo de decepcionar
Sente que precisa merecer ser amada
Aceita menos do que merece pra não ficar sozinha
No relacionamento
Ama demais quem ama de menos
Tenta “consertar” o parceiro
Fica em relações que drenam esperando mudar
Sente ansiedade quando não recebe atenção
Confunde intensidade com amor
Tem medo profundo de abandono
Por dentro, existe uma voz que diz: se eu não me encaixar, vou ser abandonada. Se eu pedir demais, vou assustar. Se eu mostrar o que realmente sinto, vou perder. Essa voz não é sua. É de uma criança que aprendeu que amor é condicional.

Como o masculino ferido aparece no dia a dia
O masculino ferido também não aparece como força, ele aparece como controle. Como armadura. Como uma pessoa que funciona muito bem, mas que por dentro está exausta de carregar tudo sozinha.
No comportamento
Precisa controlar pra se sentir segura
Dificuldade de pedir ajuda — qualquer ajuda
Resolve tudo antes que alguém precise agir
Racionaliza emoções em vez de senti-las
Impaciência com o ritmo dos outros
Cansaço que não passa mesmo com descanso
No relacionamento
Dificuldade de receber cuidado
Fecha a porta quando alguém tenta se aproximar
Relacionamento vira gestão — eficiente, mas frio
Intimidade assusta ou parece perda de controle
Critica o parceiro antes que ele possa decepcionar
Prefere resolver sozinha a depender de alguém
Por dentro existe uma voz que diz: se eu depender, vou me machucar. Se eu mostrar que preciso, vou ser um peso. Melhor eu mesma resolver. Essa voz também não é sua. É de uma criança que aprendeu que depender é perigoso.
E muitas vezes as duas feridas moram na mesma pessoa

É muito comum uma mulher carregar as duas ao mesmo tempo. Por fora: controle, independência, eficiência. O masculino ferido como armadura. Por dentro: medo de abandono, necessidade de aprovação, sensação de nunca ser suficiente. O feminino ferido como ferida aberta.
Ela funciona. Resolve. Entrega. Mas chega em casa e sente um vazio que não sabe nomear. Entra num relacionamento e ora se perde no outro, ora afasta quem se aproxima.
Isso não é contradição. É o retrato de alguém que aprendeu a sobreviver de formas opostas dependendo da ameaça.
O que isso faz nos relacionamentos
Quando duas pessoas entram num relacionamento, elas não trazem só amor. Elas trazem suas feridas. E as feridas conversam entre si muitas vezes antes que as pessoas percebam.
Uma mulher com feminino ferido busca no parceiro a segurança que não aprendeu a ter em si mesma. Ela ama muito, cuida muito, se doa muito. E espera que ele preencha o que ficou vazio lá atrás.
Uma mulher com masculino ferido não deixa o parceiro chegar perto o suficiente pra preencher nada. Ela já resolveu antes. Ela já se antecipou. Ela já não precisava.
Em ambos os casos, o relacionamento paga a conta de uma dor que não foi tratada.
Biologia masculina
O homem, biologicamente, se sente realizado quando consegue ser útil. Quando ele serve, protege, resolve e a parceira consegue receber isso. Mas quando ela está no masculino ferido, ela já resolveu antes que ele pudesse agir. Ela não precisa. Ela não pede. E sem perceber, ela tira dele a única coisa que o faz sentir que pertence àquela relação.
Quando ela está no feminino ferido, ela precisa tanto e de uma forma tão intensa que ele se sente sufocado. Porque o que ela está pedindo não é o que ele pode dar. É o que uma criança pequena precisava ouvir e nunca ouviu.
Ninguém é vilão nessa história, apenas duas pessoas tentando amar com as ferramentas que aprenderam na infância.
“Você não atrai o que quer. Você atrai o que é e o que ainda não curou.”
A raiz está na infância
Toda ferida emocional adulta tem uma origem. Quase sempre ela está nos primeiros anos de vida, nos vínculos com os pais e cuidadores, nas experiências que moldaram o que a criança acreditou sobre si mesma e sobre o amor.
A criança que não foi vista desenvolve o feminino ferido: busca aprovação para existir. A criança que não foi protegida desenvolve o masculino ferido: aprende a se proteger sozinha. A criança que foi amada de forma condicional desenvolve os dois: se molda pra agradar e se fecha pra não se machucar.
A boa notícia é que o que foi aprendido pode ser desaprendido. O que foi ferido pode ser curado. Mas a cura precisa ir até a raiz.

Foi por isso que criei a sessão guiada Integrando a Criança Interior. Para que você possa voltar a essa raiz com segurança, com consciência e com compaixão e começar a curar o que ainda está tentando te proteger de formas que já não servem.
Como começa a mudança
A mudança não começa quando você encontra a pessoa certa, muito menos quando o relacionamento melhora. Começa quando além de cuidar da sua criança interior, você olha para dentro e também cura sua história.
Quando também responde com verdade perguntas como
Essa forma de amar que eu tenho é escolha ou é sobrevivência?
O que eu faço nos relacionamentos que aprendi a fazer pra não me machucar?
Que parte de mim ainda está esperando que alguém venha curar o que dói lá dentro?
Quando você começa a responder essas perguntas com honestidade, algo muda. Você para de repetir padrões no automático. Você começa a escolher de um lugar diferente, pois agora ficou consciente e assim começa a transitar para as energias no polo saúdavel, curado.
Feminino curado
Sente sem se afogar
Coloca limites sem culpa
Recebe sem precisar merecer
Ama sem se perder
Confia na sua intuição
Existe sem precisar de aprovação
Masculino curado
Age sem precisar controlar
Pede ajuda sem sentir fraqueza
Deixa o outro entrar de verdade
Descansa sem culpa
É forte e vulnerável ao mesmo tempo
Protege sem se isolar
Ser feminina não é ser fraca. Ser forte não é ser masculina. É ser inteira e isso começa por dentro.

Para quem quer ir mais fundo
Entender tudo isso é o primeiro passo. Mas o entendimento intelectual não cura sozinho. A ferida emocional precisa de um processo com profundidade, com método, com suporte.
O Programa Terapêutico Sai do Ninho foi criado para quem quer mais do que entender, está pronta para mudar. Para trabalhar na raiz os padrões que se repetem nos relacionamentos e construir uma nova forma de se relacionar, consigo mesma e com o outro.
Na próxima edição, vamos continuar essa conversa entrando em como o corpo guarda essas feridas e por que tantas mulheres vivem desconectadas do próprio sentir.
Agora me conta aqui, qual seu grande insight, percepção você teve ao ler o texto? Vou amar te ouvir.
Com amor,
Thais Barbieri




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