O que as polaridades feminina e masculina têm a ver com a faísca (ou a falta dela) no seu relacionamento
- Sai do Ninho

- há 4 dias
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O que as polaridades têm a ver com a faísca (ou a falta dela) no seu relacionamento.

No primeiro texto dessa série sobre feminino e masculino, falei sobre o que energia feminina e masculina realmente são.
Que não tem a ver com gênero. Não tem a ver com aparência. Não tem a ver com ser delicada ou ser forte mas sim são estados internos.
E hoje quero ir num ponto que muitas pessoas ainda confundem: como e quando essas energias estão em desequilíbrio, e o impacto direto que isso tem nos relacionamentos. Vamos conversar sobre polaridades.
Polaridades Masculina e Feminina nos Relacionamentos
Essa é uma perspectiva que vem da psicologia junguiana e ganhou muita visibilidade nos últimos anos: a de que a atração sustentada entre duas pessoas depende, em parte, de uma diferença de polaridade. Não de gênero mas de energia. E o equilíbrio ou desequilíbrio entre elas afeta profundamente a dinâmica relacional.
Funciona um pouco como ímãs. Polos opostos se atraem. Polos iguais se repelem. Quando duas pessoas estão na mesma energia dominante por muito tempo —ambas muito controladas, ou ambas muito reativas — pode surgir uma sensação difusa de que algo falta. A convivência funciona, o afeto está lá, mas a faísca some sabe.
Isso não significa que um precisa ser “o forte” e o outro “o frágil”. Significa que quando uma pessoa consegue estar presente, direcionada, firme enquanto a outra consegue se abrir, fluir, receber. Há um encontro real.
Como trouxe no ultimo post, essas são as energias:
Energia Masculina (Yang) Direção, foco, presença, lógica, proteção, ação, estabilidade, propósito.
Energia Feminina (Yin) Fluidez, receptividade, emoção, intuição, criatividade, nutrição, conexão, espontaneidade.
Novamente, não têm nada a ver com gênero biológico qualquer pessoa pode expressar mais de uma ou outra.

O que acontece quando há excesso de um lado e afeta a atração e a dinâmica?
A teoria das polaridades sugere que a atração se sustenta pela diferença de cargas, como polos magnéticos. Quando dois parceiros estão muito parecidos energeticamente (ambos muito masculinos ou ambos muito femininos), pode surgir:
Falta de tensão sexual e atração
Sensação de relacionamento “plano” ou sem faísca
Competição de poder ou de cuidado
Já quando há polaridade clara, a tendência é de complementaridade. Um âncora enquanto o outro flui. Isso afetará tanto no comportamento como indivíduo, como da dinâmica do relacionamento.
Muito na energia masculina:
Dificuldade de se abrir emocionalmente
Relacionamentos se tornam transacionais ou baseados em controle
A pessoa pode parecer fria, distante ou hipercontroladora
Dificuldade de receber cuidado ou vulnerabilidade do outro
Tende a “resolver” emoções em vez de senti-las
Muito na energia feminina:
Dificuldade de estabelecer limites e direção
Dependência emocional excessiva
A pessoa pode se perder no outro, perdendo identidade própria
Reatividade emocional intensa
Dificuldade de tomar decisões ou sustentar presença
Demais em energia masculina e o relacionamento começa a virar uma gestão. Tudo é resolvido, organizado, otimizado, mas a vulnerabilidade some. A escuta se transforma em diagnóstico. A intimidade perde espaço para a eficiência.
Demais em energia feminina e os limites se dissolvem. A pessoa se adapta tanto ao outro que perde o contorno de si mesma. A emoção vira o único idioma disponível. A instabilidade torna difícil para o parceiro saber onde pisar.
Nos dois casos, o relacionamento paga a conta. Não porque a pessoa seja “errada”, mas porque uma energia travada em excesso quase sempre está protegendo algo.

Anima e Animus: Jung já sabia
Carl Jung tinha um nome para isso. Ele chamou de anima o princípio feminino que vive no interior de todo homem e de animus o princípio masculino que vive no interior de toda mulher.
Para Jung, esses não eram conceitos românticos. Eram forças psíquicas reais, com potencial enorme de crescimento ou de sabotagem, quando ignorados.
Quando uma mulher não tem acesso ao próprio animus saudável, sua capacidade de direção, limite, presença então ela pode buscá-lo compulsivamente no parceiro. O que parece amor, às vezes, é uma terceirização de uma força que ela ainda não aprendeu a habitar em si mesma.
O mesmo vale para o homem que não desenvolveu sua anima. Ele pode buscar naquela conexão emocional que não encontra dentro de si e se perder ou se assustar quando a intimidade real aparece.
Para refletir: A integração da anima e do animus não é sobre se tornar “neutro”. É sobre ter acesso às duas energias dentro de si para que você possa escolher qual expressar, em vez de ser movida por ela sem perceber.
O ponto de equilíbrio saudável
O ideal não é ser 50/50 o tempo todo, mas ter acesso fluído às duas energias e conseguir transitar conforme o contexto exige. Num conflito, talvez precise de mais estrutura (masculino). Numa intimidade, mais abertura (feminino).
Relacionamentos saudáveis costumam ter parceiros que:
Sabem quando liderar e quando ceder
Conseguem ser vulneráveis sem se dissolver
Têm presença sem precisar controlar

Quando o desequilíbrio tem nome: a ferida
E aqui chegamos num ponto que quero apenas tocar hoje porque merece uma conversa inteira própria.
Por que alguém fica travada demais no masculino ou no feminino? Quase sempre, não é por escolha consciente. É uma resposta. Uma adaptação. Uma proteção criada em algum momento em que ser vulnerável demais custou caro ou em que ser forte demais foi a única saída disponível.
Existe algo que podemos chamar de feminino ferido e masculino ferido. São padrões que surgem quando a energia foi forçada ao excesso não por preferência, mas por dor. E eles afetam não só como a gente ama mas quem a gente escolhe, o que a gente tolera, e o que a gente inconscientemente repete.
Vou falar sobre isso em detalhes no próximo texto, mas fico com uma pergunta para você levar contigo até lá:
Qual energia voce tem operado mais?
E agora com essa consciência, como e o que você percebe que tem afetado seus relacionamentos?
Estou bem curiosa para ouvir de você aqui nos comentários.
Até a próxima!
Com amor,
Thais Barbieri




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