Você não nasceu achando que não merecia, você aprendeu.
- Sai do Ninho

- 6 de fev.
- 3 min de leitura

Toda vez que você, no fundo da alma, acredita — por qualquer motivo que seja — que não é merecedora de algo, você começa a criar caos para validar essa crença.
É quase automático.
Quando algo chega até você que vai além daquilo que você acredita merecer, surge um desconforto interno. E então, de forma inconsciente, você tenta compensar isso para aliviar a culpa e ficar com a consciência “leve”.
Calma, vou explicar melhor com um exemplo real.
Uma pessoa me disse certa vez que estava exausta do trabalho e pensando em largar tudo para tirar um sabático. Até aí, tudo bem. Mas algo me chamou a atenção logo nas primeiras frases: ela disse que estava em um trabalho que não achava que merecia, ganhando muito mais do que acreditava merecer.
Pronto. Ali estava a raiz.
A crença de não merecimento.
O que ela não estava vendo é o quanto essa crença estava criando caos na vida dela. Por acreditar que não merecia aquela posição e aquele salário, de forma inconsciente, ela passou a trabalhar muito mais do que deveria como uma tentativa de compensar a culpa que sentia.
Era como se, internamente, ela dissesse: “Vou me matar de trabalhar para provar que valho a pena. Para mostrar que mereço isso.” Em outras palavras ela estava tentando equilibrar a balanca da troca salario x mao de obra prestada.
E agora eu te pergunto: você imagina como essa mesma crença afeta a sua vida amorosa?
Você está em um relacionamento que, teoricamente, é o dos sonhos: um homem fiel, leal, respeitoso, que te ama, te vê, te honra, te deseja…mas, ainda assim, algo parece errado.
Você sente um incômodo difuso. E então começa a se sabotar. E faz isso porque, lá no fundo, você não acredita que merece.
Essa crença, na maioria das vezes, nasce na infância, quando a criança aprende, silenciosamente, que precisa se esforçar para ser amada. Em ambientes marcados por cobrança, ausência emocional ou afeto condicionado ao desempenho, ela passa a se adaptar, agradar ou se diminuir para garantir o vínculo.
Ela vem tambem de um sistema familiar onde as mulheres foram infelizes no amor: mães solteiras, relações dolorosas, traições, abandono, sofrimento.
Ou ainda de tantas relações ruins que você mesma viveu justamente por já vir desse lugar e que só reforçaram histórias como: “homem não presta”, “relacionamento é sofrimento”, “amor sempre dói”.
E mesmo desejando profundamente uma relação leve, segura e feliz…você não sustenta.
Você não sustenta a culpa de viver um destino mais leve do que o da sua mãe, irmãs, tias, avós e ancestrais. Então, ao se sabotar, o que você está tentando fazer, inconscientemente, é pertencer. É ter o mesmo destino delas. É dizer, em silêncio:“Vocês tinham razão. Nenhum homem presta. Relacionamentos são difíceis mesmo. Agora estou aqui com vocês. Eu sou como voces.”
Olha que loucura.
Então, não adianta apenas dizer que quer uma relação leve, gostosa, feliz, respeitosa e segura se você não curar a crença de não merecimento. Caso contrário, esse homem pode até chegar mas você não vai sustentar.
Talvez você esteja se perguntando: “Tá, Thais, entendi. Uau. Mas como eu saio disso?”
Com consciência.
Presença.
Auto-observação.
Mapeando seus padrões. Mapeando o que se repete na sua vida. Observando as histórias que você vive contando para si mesma. Qual é a história que sempre se repete nos seus relacionamentos? Escreva todas. Observe o padrão, pois eu só posso mudar aquilo que eu vejo. E esse exercício, sozinho, já traz muita clareza.
Além disso, uma forma prática de começar a mudar a crença do não merecimento é treinar o corpo a receber sem compensar.
Escolha, todos os dias, algo pequeno que normalmente despertaria culpa como descansar sem “justificar”, receber um elogio sem se diminuir, aceitar ajuda sem devolver na mesma medida. Quando o desconforto surgir, não corrija, não explique, não se sabote. Apenas respire e diga internamente: “é seguro receber”. Fique alguns segundos com a sensação no corpo. É assim que você reeduca o sistema nervoso a entender que receber não é perigoso, que amor, cuidado e prazer não precisam ser pagos com esforço excessivo. Pequenos treinos diários constroem uma nova referência interna de merecimento.
Se quiser se aprofundar, você pode vir para um atendimento ou acompanhamento para trabalharmos na raiz disso.
Quanto mais nos conhecemos e levamos luz às partes que não vemos, mas que operam como um aplicativo rodando em segundo plano, mais leve a vida fica.
E é essa vida mais leve que eu desejo para você.
Se sentir que precisa de ajuda nessa jornada, você pode agendar um atendimento comigo @thaisbarbierioficial
Com amor,
Thais Barbieri



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